Tempo e Espaço
Tudo parece normal. A vida segue seu curso. O tempo não dá trégua, os espaços mudam a todo instante. E nossa condição, humana, vai desfilando nesse palco que chamamos vida. Tudo muda a todo instante, é preciso estar preparado. Mas o que significa mesmo estar preparado? Alguém realmente está?
As relações pessoais se entrelaçam e se expandem a cada minuto das nossas vidas. A família e amigos próximos são sempre nosso porto seguro, não importa onde estejamos ou o que estamos vivendo.
O tempo passa, todos nós envelhecemos, e nesse processo natural sabemos onde tudo vai dar. Nós já vimos acontecer muitas vezes, com muitas pessoas, mas negamos constantemente esse momento, evitamos pensar ou falar sobre ele. É sempre muito doloroso para nós pensar num momento de separação, que a principio pode parecer eterno, dentro dessa relação espaço tempo em que vivemos.
E você espera, e vive, e espera, e vive, e torce pra que nunca aconteça, mesmo sabendo que é inevitável. É um misto de temor do desconhecido com o despreparo face a não praticarmos o desapego, das pessoas e das coisas.
Então, o que é estar preparado? Eu arrisco uma possibilidade, na qual acredito hoje: a relação com o Divino, com um ser superior, alguém que a tudo comanda, que nos ampara e nos conforta, que conhece todas as verdades e todas as coisas, que sabe porque tudo acontece da forma que acontece. Mas mesmo assim, como seres em evolução que ainda somos, temos imensa dificuldade em "simplesmente" ter fé e confiar. Temos medo de nos lançar nesse mar desconhecido e enfrentar as nossas dores e os nossos desafios.
E assim vamos nos amparando, uns aos outros, da forma que podemos, e caminhando na direção Dele, na esperança de um dia nos libertar de todas as amarras que nos mantém refém de nossos medos, inseguranças e incertezas.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
domingo, 29 de abril de 2007
Partidas e chegadas
Encontros e + encontros
Me lembro exatamente como e quando tudo começou. Foi no dia 29 de dezembro de 1976, quando minha mãe me levou pra casa pela primeira vez. Meu irmão, com 3 anos nessa época, logo pensou: "eba! mamãe troxe pra casa um brinquedinho novo!". E esse brinquedinho era eu, recém nascida e indefesa.
Durante toda a infância, como crianças normais brincamos e brigamos juntos. Na adolescência, como já era de se esperar, nos "separamos" um pouco. Pelo que me lembro, até a época que ele foi passar um ano fora, evento esse sobre o qual confesso não ter muita memória, afinal de contas a adolescência é uma fase estranha e estamos quase todo tempo imerso em nossos próprios "problemas" e rebeldias.
Passado mais um tempo as mudanças foram acontecendo, e a vida nos uniu novamente. Passamos a ir a festas juntos, beber juntos (ahahah) e ter amigos em comum. Nessa época percebíamos cada vez mais coisas em comum e assim o tempo foi passando.
Um dia, quando já tínhamos lá pelos 2o e algo, papis e mamis se mudaram pra outra cidade, e permanecemos em Salvador. Eu já trabalhava feito uma louca neurótica e praticamente passava a maior parte do tempo fora de casa, trabalhando e viajando. Mas ele tava sempre lá, quando eu voltava nos fins de semana, me esperava, e novamente saíamos juntos pras farras.
Até que ele resolveu ir pra Califórnia. Quase fiquei sem chão, meu irmão, amigo e companheiro estava indo pra longe. Por mais que a gente não se visse todo dia saber que ele estava lá, perto, sempre representou muito pra mim, e agora tudo isso ia acabar. E eu sabia que não tinha data pra terminar. Explico porque: meu irmão é uma das pessoas mais livres que eu já conheci, não tem amarras, não tem "poréns", simplesmente vive o momento com toda sua intensidade. E por mais que eu soubesse que sentiria muitas saudades, eu sabia desde o princípio que não se deve e não se pode prender alguém assim, e que no final das contas isso sempre foi uma das coisas que eu mais admirei nele, sua capacidade de seguir em frente, sorrindo, sem olhar pra trás.
Foram 3 longos anos, e no principio não foi nada fácil, muito choro, muitas lembranças, muita saudade. Mas feliz por saber que quem a gente ama está feliz também. E um belo dia ele estava de volta, e tudo entrava nos eixos outra vez. Diferente de antes, claro, mas sempre olhando pra frente, pro futuro.
Um dia (eu estava fora da cidade pra variar) eu tive um sonho, dos mais estranhos. Sonhei que ele tinha morrido. Acordei no mais absoluto desespero, tinha sido muito muito real. Era um domingo, liguei pra casa, ninguém atendeu. Isso nunca acontece na minha casa aos domingos...então já comecei a entrar em pânico. Aí liguei pro celular do meu pai, e minha mãe atendeu. Na mesma hora pensei:"pronto, é tudo verdade!"- minha mãe é uma pessoa avessa a tecnologia e nessa época não fazia nem idéia direito do que era um celular. Antes que eu falasse qualquer coisa ela começou a me fazer um zilhão de perguntas, e eu só dizia "mãe, diz que Rafa tá vivo, mãe, por favor!...". E por fim ela disse que estavam no hospital e que ele estava bem (quer dizer, bem mal né?) tinha tido um acidente mas estava bem...eu pedi pra falar com ele, só assim ía sossegar e ter certeza que ninguém estava mentindo pra mim.
Passado mais algum tempo, me mudei pra São Paulo. Nessa época já tínhamos vidas um pouco mais "distantes", o que é absolutamente normal, os interesses mudam, as afinidades e o foco de cada um seguem por rumos às vezes distintos. Mas na hora da partida é sempre muito difícil. Nessa hora, e depois que parti, começei a sentir falta do que mais me era precioso. Não passou muito tempo e lá estava ele, a caminho de Sampa. Minha felicidade era imensa! É aquela velha história. Mesmo que você não conviva 24 horas com algumas pessoas você gostaria sempre de tê-las perto, pra cuidar, pra dar e receber atenção e carinho, pra falar e ouvir palavras amigas ou até mesmo somente para compartilhar de sua presença.
E novamente uma reviravolta. Temporada na Espanha. Me lembro bem quando ele me disse: "Vá e não se preocupe, se precisar de qualquer coisa é só me avisar e eu estarei lá". E pouco tempo depois lá estava eu numa lan house agoniada pra saber a que horas meu irmão desembarcaria em Salamanca. Eu não me aguentava de ansiedade, e ver ele sentadinho no banco da estação de onibus esperando nossa chegada foi emocionante, mais uma vez.
E agora estamos aqui e ali, cada um em uma cidade diferente, de volta ao Brasil. Nos vendo de vez em quando. E esperando pelo momento que a vida vai nos surpreender com novos encontros e + mais encontros. Mas tem algo que, apesar da distância, está sempre lá, no peito de cada um de nós, que é o amor, o carinho e a saudade que nos une. E não importa quanto tempo passe, quantas pessoas cruzem os nossos caminhos, quantos eventos aconteçam, quantas vidas tenhamos que viver...nossas almas e corações estarão sempre unidos.
Encontros e + encontros
Me lembro exatamente como e quando tudo começou. Foi no dia 29 de dezembro de 1976, quando minha mãe me levou pra casa pela primeira vez. Meu irmão, com 3 anos nessa época, logo pensou: "eba! mamãe troxe pra casa um brinquedinho novo!". E esse brinquedinho era eu, recém nascida e indefesa.
Durante toda a infância, como crianças normais brincamos e brigamos juntos. Na adolescência, como já era de se esperar, nos "separamos" um pouco. Pelo que me lembro, até a época que ele foi passar um ano fora, evento esse sobre o qual confesso não ter muita memória, afinal de contas a adolescência é uma fase estranha e estamos quase todo tempo imerso em nossos próprios "problemas" e rebeldias.
Passado mais um tempo as mudanças foram acontecendo, e a vida nos uniu novamente. Passamos a ir a festas juntos, beber juntos (ahahah) e ter amigos em comum. Nessa época percebíamos cada vez mais coisas em comum e assim o tempo foi passando.
Um dia, quando já tínhamos lá pelos 2o e algo, papis e mamis se mudaram pra outra cidade, e permanecemos em Salvador. Eu já trabalhava feito uma louca neurótica e praticamente passava a maior parte do tempo fora de casa, trabalhando e viajando. Mas ele tava sempre lá, quando eu voltava nos fins de semana, me esperava, e novamente saíamos juntos pras farras.
Até que ele resolveu ir pra Califórnia. Quase fiquei sem chão, meu irmão, amigo e companheiro estava indo pra longe. Por mais que a gente não se visse todo dia saber que ele estava lá, perto, sempre representou muito pra mim, e agora tudo isso ia acabar. E eu sabia que não tinha data pra terminar. Explico porque: meu irmão é uma das pessoas mais livres que eu já conheci, não tem amarras, não tem "poréns", simplesmente vive o momento com toda sua intensidade. E por mais que eu soubesse que sentiria muitas saudades, eu sabia desde o princípio que não se deve e não se pode prender alguém assim, e que no final das contas isso sempre foi uma das coisas que eu mais admirei nele, sua capacidade de seguir em frente, sorrindo, sem olhar pra trás.
Foram 3 longos anos, e no principio não foi nada fácil, muito choro, muitas lembranças, muita saudade. Mas feliz por saber que quem a gente ama está feliz também. E um belo dia ele estava de volta, e tudo entrava nos eixos outra vez. Diferente de antes, claro, mas sempre olhando pra frente, pro futuro.
Um dia (eu estava fora da cidade pra variar) eu tive um sonho, dos mais estranhos. Sonhei que ele tinha morrido. Acordei no mais absoluto desespero, tinha sido muito muito real. Era um domingo, liguei pra casa, ninguém atendeu. Isso nunca acontece na minha casa aos domingos...então já comecei a entrar em pânico. Aí liguei pro celular do meu pai, e minha mãe atendeu. Na mesma hora pensei:"pronto, é tudo verdade!"- minha mãe é uma pessoa avessa a tecnologia e nessa época não fazia nem idéia direito do que era um celular. Antes que eu falasse qualquer coisa ela começou a me fazer um zilhão de perguntas, e eu só dizia "mãe, diz que Rafa tá vivo, mãe, por favor!...". E por fim ela disse que estavam no hospital e que ele estava bem (quer dizer, bem mal né?) tinha tido um acidente mas estava bem...eu pedi pra falar com ele, só assim ía sossegar e ter certeza que ninguém estava mentindo pra mim.
Passado mais algum tempo, me mudei pra São Paulo. Nessa época já tínhamos vidas um pouco mais "distantes", o que é absolutamente normal, os interesses mudam, as afinidades e o foco de cada um seguem por rumos às vezes distintos. Mas na hora da partida é sempre muito difícil. Nessa hora, e depois que parti, começei a sentir falta do que mais me era precioso. Não passou muito tempo e lá estava ele, a caminho de Sampa. Minha felicidade era imensa! É aquela velha história. Mesmo que você não conviva 24 horas com algumas pessoas você gostaria sempre de tê-las perto, pra cuidar, pra dar e receber atenção e carinho, pra falar e ouvir palavras amigas ou até mesmo somente para compartilhar de sua presença.
E novamente uma reviravolta. Temporada na Espanha. Me lembro bem quando ele me disse: "Vá e não se preocupe, se precisar de qualquer coisa é só me avisar e eu estarei lá". E pouco tempo depois lá estava eu numa lan house agoniada pra saber a que horas meu irmão desembarcaria em Salamanca. Eu não me aguentava de ansiedade, e ver ele sentadinho no banco da estação de onibus esperando nossa chegada foi emocionante, mais uma vez.
E agora estamos aqui e ali, cada um em uma cidade diferente, de volta ao Brasil. Nos vendo de vez em quando. E esperando pelo momento que a vida vai nos surpreender com novos encontros e + mais encontros. Mas tem algo que, apesar da distância, está sempre lá, no peito de cada um de nós, que é o amor, o carinho e a saudade que nos une. E não importa quanto tempo passe, quantas pessoas cruzem os nossos caminhos, quantos eventos aconteçam, quantas vidas tenhamos que viver...nossas almas e corações estarão sempre unidos.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
NY lá vou eu!
Quem foi que me chamou pra vir aqui mesmo??? Sei lá, mas quem teve essa idéia cometeu talvez o maior erro na vida! eu não quero mais ir embora! Tenho que confessar, sou uma viciada do estilo de vida a mil por hora, pessoas indo e vindo nas ruas, luzes piscando 24 horas por dia! Sem falar num bom hotel, bem localizado e pouca coisa pra se preocupar...ahaha! acho que nesse aspecto a viagem pra Espanha me fez muito mal, afinal de contas, tive pela primeira vez a oportunidade de conhecer esse outro lado da vida, o lado obscuro e boêmio, onde a hora de acordar e trabalhar simplesmente não existem! e o relógio se transforma em somente mais um dos acessórios que podem combinar ou não com a sua roupa.
Bem, independente de como quando e porque, só sei que estou aqui. E como não podia deixar de ser, lá vou eu com as minhas famosas obsessões! Cheguei no aeroporto, o oficial me entrevistou, perguntou porque eu tava vindo pra cá e essas coisas todas. Passado esse momento, sobre o qual não posso deixar de fazer uma referência ao Folhas ao Vento, nos sentimos acuados novamente, como se colocássemos o nosso destino nas mãos de alguém, que a gente nem sabe se tá de bom humorou não....mas voltando...cheguei e eis o que vejo! caféééé! to go! todos os dias eu digo isso: " meu sonho era ter uma loja de "café pra levar" entre a minha casa e o meu trabalho".
Parei, pedi meu café, tamanho pequeno. Mas o "pequeno" aqui é igual à bacia que o meu sogro usa pra tomar o seu desjejum - enorme! Eu devo ter colocado uns 7 saquinhos de açúcar naquele treco. Mas ficou ótimo! E melhor ainda, ía demorar um tempão pra acabar, o que significava mais tempo com o copinho que eu ador na mão! e lá fui eu toda animadinha. Fui então procurar o taxi, e como uma boa brasileira mal saí do aeroporto e já tava conversando com gente que nunca tinha visto na minha frente. E devo dizer que a conversa foi produtiva! o senhor lá me disse como eu deveria discar para o Brasil usando o celular! e a criatura era do Egito! fala sério...essa cidade é mesmo muito louca!
O mesmo senhor me ofereceu taxi, mas brasileiro que se preza já fica esperto, nem em Guarulhos a gente toma taxi "de estranhos", que dirá em "Noba". Então, gentilmente declinei da oferta. Entrei novamente no aeroporto e fui ver quanto que tava o busu. A mulher falou tão rápido e com tão boa vontade que achei mais seguro optar pelo taxi, mesmo sendo mais caro. E saí de novo do aeroporto, dessa vez pensando com meus botões, "putz, a mulher falou que vai dar uns 70 dolares!, tô ferrada!". Me encaminhei para a "típica afro-americana novaiorquina", muito muito simpática por sinal, que gerenciava os taxis do aeroporto, e esperei ela terminar de atender as pessoas que lá estavam. Aí, chega uma mulher com sua filha, e eu me lembrava de tê-las visto no aeroporto de Sampa. E como filha de Nil que sou...arrisquei:"desculpa, você é brasileira?" e veio a resposta que eu queria "sou"! Pois eu não tive dúvida, perguntei pra onde ela tava indo e se não queria dividir um taxi. Claro que antes eu olhei pra ela por uns 10 segundos pra ver se eu identificava algum traço psicótico aparente que pudesse me fazer recuar...mas não. Tudo certo! Viemos conversando por todo o caminho, ela e a filha muito simpáticas e me dando várias dicas sobre a cidade, enquanto o motorista passava quase 100% do tempo falando uma lingua totalmente incompreensível pelo celular.
A verdade é a seguinte: por trás da desculpa do taxi sair mais barato, está a realidade de que a gente acaba é ficando apavora por chegar nessa cidade pela primeira vez, sozinha, chovendo (como se isso fizesse realmente alguma diferença...ahaha), e dividir o taxi significava também dividir a apreensão que eu sentia por estar ali "só". E aí, enquanto vínhamos no taxi, eu pude me dar conta mais uma vez de que eu não estava e nunca estive só, e que uma força maior sempre nos mostrará uma mão pronta para nos apoiar.
Quem foi que me chamou pra vir aqui mesmo??? Sei lá, mas quem teve essa idéia cometeu talvez o maior erro na vida! eu não quero mais ir embora! Tenho que confessar, sou uma viciada do estilo de vida a mil por hora, pessoas indo e vindo nas ruas, luzes piscando 24 horas por dia! Sem falar num bom hotel, bem localizado e pouca coisa pra se preocupar...ahaha! acho que nesse aspecto a viagem pra Espanha me fez muito mal, afinal de contas, tive pela primeira vez a oportunidade de conhecer esse outro lado da vida, o lado obscuro e boêmio, onde a hora de acordar e trabalhar simplesmente não existem! e o relógio se transforma em somente mais um dos acessórios que podem combinar ou não com a sua roupa.
Bem, independente de como quando e porque, só sei que estou aqui. E como não podia deixar de ser, lá vou eu com as minhas famosas obsessões! Cheguei no aeroporto, o oficial me entrevistou, perguntou porque eu tava vindo pra cá e essas coisas todas. Passado esse momento, sobre o qual não posso deixar de fazer uma referência ao Folhas ao Vento, nos sentimos acuados novamente, como se colocássemos o nosso destino nas mãos de alguém, que a gente nem sabe se tá de bom humorou não....mas voltando...cheguei e eis o que vejo! caféééé! to go! todos os dias eu digo isso: " meu sonho era ter uma loja de "café pra levar" entre a minha casa e o meu trabalho".
Parei, pedi meu café, tamanho pequeno. Mas o "pequeno" aqui é igual à bacia que o meu sogro usa pra tomar o seu desjejum - enorme! Eu devo ter colocado uns 7 saquinhos de açúcar naquele treco. Mas ficou ótimo! E melhor ainda, ía demorar um tempão pra acabar, o que significava mais tempo com o copinho que eu ador na mão! e lá fui eu toda animadinha. Fui então procurar o taxi, e como uma boa brasileira mal saí do aeroporto e já tava conversando com gente que nunca tinha visto na minha frente. E devo dizer que a conversa foi produtiva! o senhor lá me disse como eu deveria discar para o Brasil usando o celular! e a criatura era do Egito! fala sério...essa cidade é mesmo muito louca!
O mesmo senhor me ofereceu taxi, mas brasileiro que se preza já fica esperto, nem em Guarulhos a gente toma taxi "de estranhos", que dirá em "Noba". Então, gentilmente declinei da oferta. Entrei novamente no aeroporto e fui ver quanto que tava o busu. A mulher falou tão rápido e com tão boa vontade que achei mais seguro optar pelo taxi, mesmo sendo mais caro. E saí de novo do aeroporto, dessa vez pensando com meus botões, "putz, a mulher falou que vai dar uns 70 dolares!, tô ferrada!". Me encaminhei para a "típica afro-americana novaiorquina", muito muito simpática por sinal, que gerenciava os taxis do aeroporto, e esperei ela terminar de atender as pessoas que lá estavam. Aí, chega uma mulher com sua filha, e eu me lembrava de tê-las visto no aeroporto de Sampa. E como filha de Nil que sou...arrisquei:"desculpa, você é brasileira?" e veio a resposta que eu queria "sou"! Pois eu não tive dúvida, perguntei pra onde ela tava indo e se não queria dividir um taxi. Claro que antes eu olhei pra ela por uns 10 segundos pra ver se eu identificava algum traço psicótico aparente que pudesse me fazer recuar...mas não. Tudo certo! Viemos conversando por todo o caminho, ela e a filha muito simpáticas e me dando várias dicas sobre a cidade, enquanto o motorista passava quase 100% do tempo falando uma lingua totalmente incompreensível pelo celular.
A verdade é a seguinte: por trás da desculpa do taxi sair mais barato, está a realidade de que a gente acaba é ficando apavora por chegar nessa cidade pela primeira vez, sozinha, chovendo (como se isso fizesse realmente alguma diferença...ahaha), e dividir o taxi significava também dividir a apreensão que eu sentia por estar ali "só". E aí, enquanto vínhamos no taxi, eu pude me dar conta mais uma vez de que eu não estava e nunca estive só, e que uma força maior sempre nos mostrará uma mão pronta para nos apoiar.
sub-Títulos
Você já parou pra prestar um pouco de atenção no comportamento das pessoas? Se não fez isso ainda, sugiro que faça. Assim verá o quão absurdo e ridículo se tornou o nosso pobre mundo, perdido entre nacionalidades que se pressupõem superiores e títulos distribuídos conforme o valor dos lances como se estivéssemos num leilão.
E lá estava eu, na sala de embarque. Aí a mocinha da Cia aérea decidiu que era hora de embarcarmos. Hum...eu disse embarcarmos? Muita calma...não é bem assim não que a coisa funciona. Todos vão viajar no mesmo avião mas...! a ordem de embarque faz toda a diferença! E então ela começou: "Please, I would like to invite passengers business first ONLY to come on board". Ops! esqueci de avisar uma coisa: nós estávamos no Brasil!!! E a mocinha deliberadamente concluiu que somente passageiros estrangeiros viajam de classe "business first"! Obviamente eu esperei que a coitada tivesse feito alguma confusão, sabe como são essas coisas, viajam tanto que às vezes nem se lembram onde estão...mas não, não se dando por satisfeita lá foi ela novamente "Now I would like to invite passengers elite ONLY to come on board". Eu pensei comigo: "que essa mocinha pensa que tá fazendo? onde ela pensa que está?".
Mas já era tarde demais, todos os passageiros já estavam embarcando, cada um devidamente trajado do orgulho de ser business first ou elite.
Depois de passada toda essa coisa dos (sub)títulos, quando todos já estavam a bordo, o avião decolou. E aí me dei conta que todos estão respirando o mesmo ar, sujeitos ao mesmo risco, ansiosos por chegar ao mesmo destino.
E essa é somente uma das muitas viagens que faremos na vida. Ah! e não esqueça, infelizmente, na última viagem não tem jeito, tem que ir sozinho mesmo e não dá pra pagar pelo melhor lugar, pela melhor comida, pra entrar primeiro ou por último, ou pra ser chamado de "business first"... I'm sorry to desappoint you...mas o destino é desconhecido e incerto. E boa viagem!
Você já parou pra prestar um pouco de atenção no comportamento das pessoas? Se não fez isso ainda, sugiro que faça. Assim verá o quão absurdo e ridículo se tornou o nosso pobre mundo, perdido entre nacionalidades que se pressupõem superiores e títulos distribuídos conforme o valor dos lances como se estivéssemos num leilão.
E lá estava eu, na sala de embarque. Aí a mocinha da Cia aérea decidiu que era hora de embarcarmos. Hum...eu disse embarcarmos? Muita calma...não é bem assim não que a coisa funciona. Todos vão viajar no mesmo avião mas...! a ordem de embarque faz toda a diferença! E então ela começou: "Please, I would like to invite passengers business first ONLY to come on board". Ops! esqueci de avisar uma coisa: nós estávamos no Brasil!!! E a mocinha deliberadamente concluiu que somente passageiros estrangeiros viajam de classe "business first"! Obviamente eu esperei que a coitada tivesse feito alguma confusão, sabe como são essas coisas, viajam tanto que às vezes nem se lembram onde estão...mas não, não se dando por satisfeita lá foi ela novamente "Now I would like to invite passengers elite ONLY to come on board". Eu pensei comigo: "que essa mocinha pensa que tá fazendo? onde ela pensa que está?".
Mas já era tarde demais, todos os passageiros já estavam embarcando, cada um devidamente trajado do orgulho de ser business first ou elite.
Depois de passada toda essa coisa dos (sub)títulos, quando todos já estavam a bordo, o avião decolou. E aí me dei conta que todos estão respirando o mesmo ar, sujeitos ao mesmo risco, ansiosos por chegar ao mesmo destino.
E essa é somente uma das muitas viagens que faremos na vida. Ah! e não esqueça, infelizmente, na última viagem não tem jeito, tem que ir sozinho mesmo e não dá pra pagar pelo melhor lugar, pela melhor comida, pra entrar primeiro ou por último, ou pra ser chamado de "business first"... I'm sorry to desappoint you...mas o destino é desconhecido e incerto. E boa viagem!
Folhas ao Vento
Tem horas que a gente percebe mais claramente o quanto somos frágeis. O quanto nos sentimos intimidados por outras pessoas ou circunstâncias...perdidos na burocracia que criamos ao nosso redor.
Se em um instante estamos em um lugar, no outro já não estamos mais, e com a velocidade das máquinas criadas pelo ser humano nos deslocamos para outro mundo. Se pararmos bem pra pensar, é uma loucura deixar o nosso mundo, no qual já nos sentimos confortáveis e ao qual estamos acostumados, pra nos aventurarmos ainda que temporariamente por outros céus, ruas e avenidas, pra nos expormos a outras cabeças e culturas.
E assim vamos como folhas ao vento, e que o vento que nos leva seja o mesmo que nos traz de volta, e olha por nós enquanto vamos por aí, a caminhar sem rumo.
Tem horas que a gente percebe mais claramente o quanto somos frágeis. O quanto nos sentimos intimidados por outras pessoas ou circunstâncias...perdidos na burocracia que criamos ao nosso redor.
Se em um instante estamos em um lugar, no outro já não estamos mais, e com a velocidade das máquinas criadas pelo ser humano nos deslocamos para outro mundo. Se pararmos bem pra pensar, é uma loucura deixar o nosso mundo, no qual já nos sentimos confortáveis e ao qual estamos acostumados, pra nos aventurarmos ainda que temporariamente por outros céus, ruas e avenidas, pra nos expormos a outras cabeças e culturas.
E assim vamos como folhas ao vento, e que o vento que nos leva seja o mesmo que nos traz de volta, e olha por nós enquanto vamos por aí, a caminhar sem rumo.
terça-feira, 24 de abril de 2007
Minha Mesa - crônicaPois é, minha mesa é mais ou menos essa colchinha de retalhos colorida que vocês estão vendo no título acima. Também se assemelha bastante com aquela definição de buraco negro, sabe qual é? Desde que me entendo por gente, e acho que até antes disso, definitivamente não consigo ser uma pessoa geometricamente organizada. As vezes pareço até um imã! as coisas vão simplesmente vindo em minha direção e quase que pulam na minha mesa! e aí elas falam: "posso ficar aqui com você? deixa! deixa! deixa! por favor...". E eu, que tenho um coração mole, acabando deixando.
Vou explicar a minha teoria: não é à toa que a expressão "engavetar" foi criada. Se a gente põe as coisas não gaveta nunca mais se lembra que elas existem...então, pra não esquecer delas eu deixo elas todas à vista! o problema é que parece que elas nunca estão suficientemente à vista para mim (não pode ser empilhado, senão a gente também esquece) por isso vou espalhando cada vez mais....e aí não tem mais fim!
Mas o pior mesmo é que dizem que tudo isso reflete a nossa verdadeira personalidade. Será que eu me transformei em uma colcha de retalhos e não percebi? ou pior...será que eu me resumi a uma lista de pendências e coisas não feitas ou não resolvidas?
Ai ai, isso me lembra até Mafalda, o que era pra ser simplesmente uma mesa desarrumada acaba de se transformar na famosa crise dos 30!!! bem, então já que é assim, se me dão licença, eu prefiro enfrentar a minha mesa...
Quantos chefes você tem?Esse negócio de chefe é furada. O slogan deveria ser "você gosta de ter dores de cabeça constantes? você ama passar o dia brigando, reclamando ou cuidando da vida alheia? Então junte-se a nós, e venha ser CHEFE!"
Eu não sei quanto a vocês, mas hoje não sou chefe de ninguém, nem de mim mesma, e a minha qualidade de vida melhorou muito depois disso. Mas, só pra que a vida ganhe um pouco mais de emoção, nada poderia ser tão fácil assim, então, pra compensar a ausência de subordinados, acabei por ganhar de presente dois chefes! isso não é demais?
Sabe onde reside a problemática disso tudo? No EGO! exatamente aí. O ego nada mais é que um bichinho que existe dentro da gente e vai crescendo de tamanho à medida que vamos lhe dando o alimento correto. E que alimento seria esse? ah! podem ser vários, mas é fato que hoje em dia as coisas pioraram muito...e esses alimentos lembram o toddy, aquele que alimenta e dá gosto!
E eu pensei que já tinha visto tudo! mas que nada, sempre tem mais alguma coisa que deixa a gente absolutamente perplexa! as pessoas tem uma dificuldade incrivel em se relacionar de igual pra igual, é que nem quando na multidão um tenta se apoiar no outro pra ficar um pouquinho mais alto e ter uma visão melhor do que tá acontecendo. Sabe aquele lance de "informção é tudo! quem tem informação tem tudo!"? pois é, isso aí não é à toa não, e não seja bobinho de pensar que o "x" dessa frase está exatamente na informação, e sim em como esconder ela dos demais, em como jogar corretamente com elas, e em como distorcê-las ao ponto certo (mal passado ou bem passado?).
Hoje não se trabalha mais pras empresas, as pessoas trabalham pra si próprias, pra satisfazer as suas necessidades de respeito, admiração e orgulho. E assim a coisa fica cada dia mais difícil, porque a finalidade principal do trabalho se perdeu e sobraram somente os melindres pessoais, e aí você nunca sabe quando vai pisar no calo de alguém - pelo menos você sabe que isso vai acontecer em algum momento.Então, livre-se disso assim que puder! o mais rápido possível, e até o limite do possível. Mas esteja preparado, porque os outros certamente te julgarão, uns porque vão pensar que você é um louco idiota e sem ambição, e outros só pelo prazer de julgar ou pela falta de coragem de fazer o mesmo que você.
E o dia acaba, um novo dia chega, novos emails aparecem na caixa de entrada, e toda essa reflexão vai pro fundo da gaveta, porque o f... do sujeito que trabalha com ou pra você acaba de mandar um email bem desaforado, e você não pode perder a chance de responder e colocar ele no lugar dele, afinal de contas, quem é ele pra questionar o seu trabalho??? e você se sente compelido a fazer algo a respeito...
E no final das contas eu te pergunto: quem é ele? quem é você? e a vida segue seu curso...
E o dia acaba, um novo dia chega, novos emails aparecem na caixa de entrada, e toda essa reflexão vai pro fundo da gaveta, porque o f... do sujeito que trabalha com ou pra você acaba de mandar um email bem desaforado, e você não pode perder a chance de responder e colocar ele no lugar dele, afinal de contas, quem é ele pra questionar o seu trabalho??? e você se sente compelido a fazer algo a respeito...
E no final das contas eu te pergunto: quem é ele? quem é você? e a vida segue seu curso...
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