sexta-feira, 14 de março de 2008


Como tem que ser....?

Ando um pouco caidinha, juntando os cacos de algum tipo de acidente futuro. Presságio de algo que luto para não materializar, a briga entre a mente e o medo, a incerteza e a construção desesperada da fé. Com alguma razão não quero pedir que seja ou que não seja, mas sou humana e não posso deixar ainda de ter receio. O processo humano pode ser doloroso, e ainda me reservo o direito de ter medo do desconhecido.

Continuo no meu exercício constante, sucumbindo de tempos em tempos. Me pergunto onde andará aquela força intensa que sempre faz parte de mim. Já procurei, acho que tirou férias. Também estou precisando, pode ser uma boa sugestão. Vou arrumar a mala, essa com endereço e data já conhecida. Outras férias ainda não programei e não cabe a mim fazê-lo.
Sensação difícil de explicar, real ou ilusão? seria impossível definir. Nossa mente é tão impressionante que nos permite criar mundos e situações e fazê-las parecer verdade.
Materializá-las, eu acredito, é possível, e muitas vezes provável, ainda que não se tenha a intenção. Aí reside também minha agonia. Resolvi não fugir mais, mas ainda será a primeira etapa. Sigo rezando para que não tenha que testar a minha fé na segunda (etapa).
Wake up dead man - U2

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Comentário em um blog

Hoje eu estava navegando pela internet, revendo alguns links de blogs encontrei "casualmente" há um tempo atrás, e que adicionei aos meus "favoritos", na promessa de voltar a ler seus conteúdos e acompanhar a evolução do pensamento de algumas pessoas que passam por lá.

Eis que me deparei com um que se chama "Mafalda Crescida". Adorei o nome! quem nunca leu Mafalda na vida? Ela é uma fofa! e o máximo. Suas críticas políticas, aparência de criança e idéias de gente grande!

Hoje voltei a ler esse blog, tava buscando novidade na internet, inspirações. Li dois textos muito bons, e pra um deles resolvi deixar um comentário. Depois, como meu comentário se extendeu pra quase um texto, resolvi publicar-lo aqui (gramaticalmente revisado é claro! rss....), já que depois percebi que serve também pra mim como inspiração pra me tornar uma pessoa melhor, a cada dia.

"Oi Karina, é a primeira vez que leio o seu blog e adorei o texto "tempestade". Mandei pra minha irmã, porque acho que ela está passando por um momento que requer reflexões como essa.Vi também alguns comentários, que só reforçaram a idéia que tive inicialmente sobre você à medida que ia lendo os seus textos. De uma pessoa sensível e que foi agraciada com o dom de colocar "no papel" o que sente e pensa.Espero que um dia tenhamos resposta para os questionamentos que você fez. Pra falar a verdade, no fundo no fundo, eu acho que já temos, mas ainda não nos damos conta. Também não gosto da palavra "conformismo", aliás sempre lutei contra ela minha vida inteira! mas gosto muito de duas outras palavras, e acredito com todas as minhas forças que elas são as palavras-chave na vida: esperança e fé. Fé no que quer que seja ou em quem quer que seja; fé de que existe um sentido maior para tanta complexidade e beleza que vemos no mundo, que não somente as conquistas materiais; fé de que todo o amor que dedicamos não se perde nesse universo grandioso; fé de que a energia que criamos é a mesma que nos rodeia, e que é nossa responsabilidade fazer de cada dia um dia melhor. Abraços pra vc, e espero continuar acompanhando seu blog!"

Camera Escondida

Ah se no meu carro houvesse uma câmera...ah se alguém pudesse assistir à cada manhã minha. Mesmo trajeto, mesmo destino, mas nunca os mesmo comportamentos.

Hoje até eu ri de mim mesmo. Acho interessante observar ( e comprovar) como cada dia é um novo dia, é uma nova chance de fazermos tudo de forma diferente. E comprovo isso, ainda que use como exemplo nesse texto o meu mundo limitado naquele momento - o espaço do meu carro.

Tem dias que eu venho, como se diz, "no piloto automático". Não quero pensar, não quero ouvir música, não quero tomar conhecimento do que se passa ao meu redor. Simplesmente não quero; mas quero chegar ao meu destino final, que nesses dias parece estar a 1000km de distância, e não os habituais 25km.

Mas tem dias....(ahahaha)....começo a rir só de lembrar. E também não sinto orgulho de mim mesma nessas horas, acredite, mas é que ainda assim não deixa de ser engraçado. Sabe quando a gente já sai de casa literalmente "atacado"? pois é, hoje foi um desses dias. Dá pra notar ainda antes de chegar na primeira parada - o posto de gasolina. Da minha casa pra lá são menos de 2km! É um tal de falar sozinha, resmungar, reclamar, criticar, julgar...ufa!!!! só até aí já sei que provavelmente sonhei com algo que me incomodou, ou que não dormi tão bem quanto eu gostaria, ou então que simplesmente é um presságio de um dia daqueles!

É o cara que não dá passagem pra outro, sou eu que critico e 5 segundos depois faço a mesma coisa! aí começo a me auto-criticar, e fico aborrecida comigo mesmo por ter ficado aborrecida com o outro cara e por ter feito a mesma bobagem. Aí tem o outro que não sabe o que quer, fica numa fila ameaçando pular pra outra, e eu tenho que ficar esperando a belezura se decidir pra que eu possa seguir meu caminho (é mole?!).

Pista da esquerda então...!! essa ninguém sabe pra que serve. Dar passagem é normalmente considerado um ato de fraqueza e só mostra que ou o seu carro não é tão potente quanto o da pessoa que quer te ultrapassar ou você não é tão bom motorista assim! ou seja, uma ofensa! e o orgullho? fica aonde?

Os "marrozinhos" são um capítulo à parte. Eles estão por todos os lados! mas só de 7-10 e das 17-20, claro. A função deles não é organizar, é multar. Simples assim. Você pode fazer a maior confusão no transito, barbaridades e barbeiragens! não tem problema: se não é o dia do seu rodízio ou não se encaixa nos horários antes mencionados, tá tranquilo, não pega nada.

Os motoqueiros por sua vez são donos daquele espaço (inexistente) entre as duas filas de carros alinhadas (ahahah) à esquerda. Se você quiser trocar de faixa não pode, atrapalha o fluxo deles e eles não querem frear. Então, uma vez escolhida a faixa que você quer ficar, tem que ficar lá pra sempre!

Pois é amigos, agora me diz se não tenho razão em falar sozinha durante meus longos 30 minutos no percurso de casa pro trabalho? Dá pra ver tanta coisa acontecendo, que nem daria pra listar todas aqui. Mas sempre que posso me lembro de Poliana, e penso "que bom que não sou eu que estou dirigindo aquele caminhão e que tem que ficar naquela interminável fila por horas!" ou então "pelo menos eu tenho um meio de transporte que me leva pra onde preciso ir, e o resto é bobagem", ou ainda "a vida é bela, maravilhosa! e isso aqui são só 30 min! então liga o som e pé na tábua!!!".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Ponto de Contato

Fui no salão
Pintei as unhas de vermelho
As mesmas unhas que sempre ganharam uma coloração branca "renda"
Tipo mocinha filha de papai zeloso, chefe de família

Dificil decisão
Estimulada pelas sempre sonhadoras e desejosas de inovações, as manicures
Nesse momento algo novo dentro de mim começou a brotar
Um poder diferente, vontades, quase novos sonhos

Esperei secar
E enquanto isso pensava, observava e pensava...
Observava uma certa nova mulher nascendo

Peguei meu carro
Segui meu rumo
E enquanto dirigia pensava...
Pensava nos meus novos desejos
Nos meus novos sonhos
Quase resoluções
Que nasciam de minhas unhas pintadas de vermelho

Estranho poder esse....cores ou atitude?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Não tenho vontade

Os dias se alargam no escritório. Estou de volta ao meu lugar de origem, e tanto quis estar aqui, perto das pessoas que já conheço, sem estar viajando por aí. Mas eis que, pra variar, não tenho vontade de fazer o que precisa ser feito.

Não sei o que acontece comigo, não sei se é preguiça ou se é simplesmente a velha mania de estar na contra-mão das coisas. Tenho um relatório difícil e extenso pra preparar...mas não tô afim!!!

Sempre esse momento chega, e eu já deveria estar mais bem preparada pra ele, mas simplesmente não. Não tenho uma estratégia, uma tática ou seja lá o que for pra lidar com esse momento, que mais cedo ou mais tarde acaba chegando.

Enlouqueço mais a cada dia por contar o tempo de trás pra frente, e por saber que ele está se esgotando...mas tô tentando manter a calma, e acreditar na máxima "no final tudo vai dar certo".

Ai ai, porque vivemos neste estica e puxa? porque não vamos andando por aí, sem horários, prazos e "to do's"....; Confesso que tenho um sério problema: quando não tenho resposta imediata pras coisas eu tendo a uma certa enrolação. E pra evitar esse momento eu postergo ele o máximo que eu posso. Aí o prazo final começa a se aproximar e eu fico que nem uma doida correndo atrás do prejuízo - o processo não poderia ser mais simples????

Vou voltar à vida real, lá vou eu encarar meus "fantasmas profissionais" rss...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O passar do tempo

Hoje entendo melhor que a idade nada mais é do que a representação do tempo para uma mudança de estado de espírito. Pode ser chamado também de amadurecimento, de fases da vida...enfim, há uma infinidade de nomes para expressar nossas mudanças e os novos desejo que vamos tendo ao longo da vida.

Uma coisa não posso negar: as viagens que faço quase sempre me trazem uma necessidade de pensar. Dessa vez, passei muito tempo fora, o que fez com que essa necessidade aumentasse consideravelmente, trazendo junto uma certa necessidade de mudança. Sei que não sou uma pessoa dada a rotinas. De fato tenho dificuldade de viver assim. Mas será mesmo? Como definir rotina? Ou melhor, como definir a ausência dela?

Eu sei que falei a principio de dois temas aparentemente diferentes e desconexos. Mas, para mim eles estão diretamente relacionados. Rotina e Mudanças. E olha só que colocar as coisas dessa forma para mim já é um avanço! Até pouco tempo atrás seguramente eu diria "rotina versus mudança".

Sei lá, mas sempre tive a sensação de que esse lance de amadurecer depois de uma certa idade - no meu caso 30 - teria um "q" de rotina com uma pitada de velhice. Aquelas horas intermináveis cuidando da casa, da organização funcional de um lar, e o futuro predestinado por esperas à porta da escola, correria entre aula de ballet e de inglês, e eu alí, jogada num canto ao final do dia sem esperar mais nada da vida. Sei que parece uma forma extremamente pessimista e insensível de ver as coisas, mas tô sendo sincera em dizer que isso sempre me apavorou!

Mas será que é assim mesmo? Tenho no entanto observado que algumas razões obscuras faziam parte desse meu pensamento pessimista, e que eu nunca quis ou até mesmo nunca consegui enxergá-las. E eis que de repente me pego admitindo que talvez exista algo mais por trás dessa minha necessidade de ausência de rotina...

Comecemos pela parte mais fácil: porque não ter um gato ou um cachorro? Apesar da minha aparente enorme vontade de ter um bichinho de estimação, milhões de justificativas contrárias a essa idéia surgem imediatamente na minha cabeça - não tenho tempo pra cuidar, viajo muito, nunca estou em casa, se viajo de férias não tenho com quem deixar...etc.. Mas nunca tive coragem de adimitir que o que mais me apavora é saber que existe alguém, um ser vivo, que depende de mim - e só de mim. Hoje mesmo eu estava almoçando com amigas, e me dei conta de quanto a minha vida é determinada pelo meu trabalho. Eu sempre fui onde ele me levou, nunca considerei a possibilidade de fazer as coisas de uma forma diferente, e mais, nunca considerei a idéia de ter planos pessoais antes de saber o que meu trabalho ia exigir de mim. E no final das contas eu andei pensando...será que eu sempre usei o meu trabalho como desculpa pra não fazer minhas próprias escolhas???

Esse pensamento caiu como uma bomba na minha cabeça, e a verdade é que agora não sei o que fazer com ele. Como na minha cabeça tudo funciona de uma forma racional, imediatamente já senti a necessidade de racionalizar essa questão e começar a fazer uma lista de planos pessoais com datas e tudo mais!! ufa...aí parei, respirei e pensei "calma, pelo menos você já identificou algo em que precisa refletir, o que não quer dizer que isso será matematicamente resolvido com uma lista de pendências!"....

E aqui estou eu, com esse novo pensamento rondando minha cabeça, as idéias vazias e uma inércia que me domina...alguém me diga - essa charada tem resposta?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Universo Paralelo

Ontem eu estava pensando (é, pode rir, mas isso de vez em quando realmente acontece) ...e acho que encontrei a melhor definição para a minha, no mínimo, estranha forma de vida: nesse momento posso dizer que estou vivendo num Universo Paralelo.

Eu vivo no Brasil, tenho a minha casa, minha vida, meus amigos e minhas coisas. Mas de vez em quando eu me ausento, e nesse momento mergulho num universo paralelo. Esse universo se mantém conectado ao meu mundo real, o de origem, por uma linha telefônica, por uma voz amiga, por um email contando como vão as coisas no Brasil. Nesses momentos não estou nem lá nem cá, tô exatamente no meio do caminho, quase virando um "package" qualquer desses que são transmitidos pela internet - em partes separadas.

Aí o tempo vai passando, e o universo paralelo vai se tornando a realidade. Vou me acostumando com as pessoas e lugares, e passo a aceitar a situação que se coloca à minha frente, e encará-la como mais um dia na minha vida. Chega a um ponto que acho que as coisas começam a se inverter um pouco. E aí é a hora de se perguntar: mas peraí, onde é que ta minha vida mesmo? A que lugar eu pertenço? E logo depois me pergunto se tudo isso é uma questão geográfica somada a diferenças de fuso horário, ou se a mudança é mesmo dentro da cabeça.

(ainda sem respostas)

Chegou a hora de partir, vou deixar meu universo paralelo particular e retornar à minha vida. Isso soa até engraçado, porque até parece que a vida da gente fica suspensa, como se a gente desse um tempo de viver, do tipo quando se diz: “esse tempo não conta ta?”, como se o relógio ficasse parado esperando a gente voltar. As barreiras invisíveis entre o mundo real e o universo paralelo é algo que ainda não consegui decifrar. Às vezes queria que tudo se resumisse mesmo a uma questão de mexer no ponteiro do relógio. Mas tem algo mais aí, algo que com certeza afeta alguma das inúmeras partes do nosso cérebro que ainda não conhecemos.

Tento relaxar e dizer pra mim mesma que “vou ali e volto já”. Ah se fôssemos tão simples assim...